"O homem está na cidade
como uma coisa está na outra
e a cidade está no homem
que está em outra cidade
mas variados são os modos
como uma coisa
está em outra:
o homem, por exemplo, não está na cidade
como uma árvore está
em qualquer outra
nem como uma árvore
está em qualquer uma de suas folhas
(mesmo rolando longe dela)
como uma árvore está num livro
quando um vento ali a folheia
a cidade está no homem
mas não da mesma maneira
que um pássaro está numa árvore
não da mesma maneira que um pássaro
(a imagem dele)
está/va na água
e nem da mesma maneira
que o susto do pássaro
está no pássaro que eu escrevo
a cidade está no homem
quase como a árvore voa
no pássaro que a deixa
cada coisa está em outra
de sua própria maneira
e de maneira distinta
de como está em si mesma
a cidade não está no homem
do mesmo modo que em suas
quitandas praças e ruas"
sexta-feira, 24 de junho de 2011
quinta-feira, 17 de março de 2011
Tempo
Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas
Que já têm a forma do nosso corpo
E esquecer os nossos caminhos que nos levam sempre aos
mesmos lugares
É o tempo da travessia
E se não ousarmos fazê-la
Teremos ficado ... para sempre
À margem de nós mesmos
Que já têm a forma do nosso corpo
E esquecer os nossos caminhos que nos levam sempre aos
mesmos lugares
É o tempo da travessia
E se não ousarmos fazê-la
Teremos ficado ... para sempre
À margem de nós mesmos
Fernando Pessoa
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